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Contos
Executados pelo Ódio
publicado em 10/03/2010
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malgaxe
Pato Branco (PR)
Membro desde 03/2010
Difícil se concentrar no trabalho. Nos últimos tempos, Nelson andava preocupado com algo que parecia simples de resolver, mas não era bem assim. A sua fazenda tinha a multicultura, além disso criava gado, e exatamente aí é que residia o problema. Nos últimos meses, perdera mais de 40 cabeças de gado, teria que tomar uma providência drástica.

Os primeiros raios de sol inundaram seu quarto, levantou, fez a barba, tomou café, beijou a mulher, o filho e rumou até o povoado. Aquele dono da veterinária já o conhecia, mas notou a estranha preocupação em seu semblante.

- "Daí, o que manda hoje, Nelson?", perguntou o comerciante.

- "Amigo, preciso de um sistema de arames eletrificados em minha propriedade, cercarei 1 km quadrado de piquete."

Negociou, pegou o material e passou na delegacia pra ver se tinham alguma novidade... Nada, nenhum suspeito, ninguém preso pelos furtos. A fazenda de Nelson tinha cerca apenas nos 550 alqueires, mas o gado vivia solto, cercaria um pequeno pedaço para o gado passar a noite. Assim o fez, o controle, do sistema ficava num pequeno galpão nos fundos da casa, somente ele tinha acesso, durante o dia, desligava e à noite, ligava.

Já faziam 15 dias que nada mais era furtado, o sistema deu resultado, mas o que o preocupava agora era a tensão da rede elétrica, mataria uma pessoa sem dúvidas.
Mas um fato mudou sua vida, um irmão seu na capital passava mal com câncer. Teve que se deslocar e lá ficar três dias; diariamente comunicava-se com a esposa e tudo corria normal. No último dia na capital, estranhou que o telefone da esposa estivesse sempre "fora de área", sossegou, afinal o filho dava trabalho pela pouca idade. Com certeza, teria ido ao povoado passear com ele.

Jáa era noite, quando Nelson despediu-se dos parentes e pegou a estrada, seriam duas horas de viagem até o sítio. Ao aproximar-se da fazenda, notou que a porteira principal estava apenas encostada, algo estava errado... Diminuiu a velocidade e entrou devagar. Na frente da casa, uma reunião chamou sua atenção, que pessoas seriam aquelas? Riam, e bebiam, ao redor de uma fogueira...

Sem ser notado, desceu do carro, deu a volta, e entrou na casa pelos fundos... 
Furtivamente, andou pela casa e dirigiu-se ao seu quarto, todo iluminado, assim como a casa toda, e as pessoas todas no lado de fora. Num misto de ódio, perplexidade e insana loucura, viu sobre a cama, perfurados de tiros e com seus pescoços cortados, a esposa e o filho. Controlou-se fez o sinal da cruz, pegou uma maleta em cima do guarda roupa, abriu-a. Um fuzil 7,62, e carregador, repousavam no fundo da maleta a espera de uso.

Pegou-a, colocou sob um cobertor e encaixou o carregador sem fazer barulho, numa gaveta pegou pedaços de fios elétricos. Lentamente, dirigiu-se para a porta de saída, abriu-a... Boquiabertos, todos os seis assassinos levantaram, e fizeram menção de pegar suas armas, mas diante de tão poderosa arma, pasmos, ouviram a voz embargada de Nelson, ordenar:

- "Virem de costas, e ajoelhem-se."

Um tiro transfixou a cabeça do mais relutante, expondo os miolos do bandidos, os outros baixaram, suando frio. Retirou os fios elétricos do bolso, amarrou um a um os bandidos. Após, prendeu três deles na cerca da varanda da casa, e levou dois deles... Contornou a casa, e nos fundos, diante de um canil, os fez entrar e travou um cadeado à porta. Abriu uma pequena portinhola e três pitbulls adultos voaram sobre os assassinos, estraçalhando-os em mortes horríveis, alagando de sangue o piso do canil.

Voltou, e diante dos olhos esbugalhados dos outros bandidos, disse, agora é a vez de vocês. Fez o mesmo trajeto, passando ao lado do canil, os homens choravam e imploravam pela vida, mas sua execução seria menos dolorosa, assegurou Nelson.
Passaram por baixo de umas árvores e, ao lado de um galpão, os fez deitar e virarem os rostos para baixo. Um fino arame, fez passar três vezes em cada um, sem cortá-lo, a ponta do arame ligou ao aparelho comprado há dias para a eletrificação, regulou o aparelho para 1.500 volts e girou o botão de liga-desliga...

O dia já amanhecia, sentado numa pedra, fumando um cigarro de palha, Nelson olhou o carro, levantou, colocou a arma dentro do veículo e rumou ao povoado.
Olhou para trás, para a casa e murmurou: Justiça seja feita...

Malgaxe

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