Crônicas
Ora, um Delírio..
publicado em 31/01/2010
127 visitas

hilario
Franca (SP)
Membro desde 01/2010
Membro desde 01/2010
Sai correndo de casa com uma roupa qualquer. O tempo não era lá dos mais escassos: tive tempo de passar três camadas de rímel, o que é consideravelmente confortante. A cidade debaixo de um pé d’água daqueles, não se tratando de grande novidade, já que estamos debaixo de chuva há quase um mês e as previsões para as próximas semanas não são das mais animadoras.
Era uma chuva paulatina e tediante. Entrei no supermercado para comprar três ítens: uma esponja, um detergente e um fardo de latas de cerveja - e não me perguntem porque um deles não tem relação com os demais. Nunca imaginei que escolher um detergente às pressas seria algo complicado. No fim das contas, peguei uma marca qualquer - não tão conhecida mas também não completamente desconhecida - e procurei a seção de alcoólicos.
Passei por três grandes estandes de três tipos diferentes de cerveja, com placas gigantescas de preços promocionais e não consegui vê-los. Talvez os tenha visto, mas não os enxerguei. Tive de recorrer a um "Posso ajudá-lo?" e me senti uma idiota quando percebi que estava parada de costas para o que eu estava procurando.
Paguei, sai e fiquei esperando a carona no hall de entrada do supermercado. Esses são aqueles momentos engraçados, momentos em que a única coisa que você certamente vai fazer é reparar nas pessoas. Pois bem, fiz o que estava destinada a fazer. Ajeitei o fardo por entre as pernas, coloquei o detergente por cima e comecei a observar o entra-e-sai do mercado. O hall, apesar de possuir um tamanho considerável, estava lotado por causa da chuva. Os carros paravam para além do limite a fim de desovar pessoas ou serem carregados de sacolinhas plásticas. Pensei em um mini-modelo de manicômio.
Parado ao meu lado esquerdo encontrava-se um senhorzinho de idade avançada, estereótipo comum, parecendo muito interessado em seu cigarro e numa pocinha d’água no chão. Empunhava um guarda-chuva e, assim como pena e tinteiro, molhava a ponta deste na poça e escrevia algo no chão. Tentei, disfarçadamente, dar uma olhadela para descobrir do que se tratava, mas consegui ler apenas "SÃO". Mais uma tentativa e: "LUSÃO". Pensei, "Eis ai um grande apaixonado por seu time luso-português, a Portuguesa!" Não era. Um traço fino, misturado aos riscos do vai-e-vem de pegadas no chão, completava a palavra. Curioso. O velho, um guarda-chuva, um cigarro pra matar o tempo e uma companheira, a "ilusão".
Era uma chuva paulatina e tediante. Entrei no supermercado para comprar três ítens: uma esponja, um detergente e um fardo de latas de cerveja - e não me perguntem porque um deles não tem relação com os demais. Nunca imaginei que escolher um detergente às pressas seria algo complicado. No fim das contas, peguei uma marca qualquer - não tão conhecida mas também não completamente desconhecida - e procurei a seção de alcoólicos.
Passei por três grandes estandes de três tipos diferentes de cerveja, com placas gigantescas de preços promocionais e não consegui vê-los. Talvez os tenha visto, mas não os enxerguei. Tive de recorrer a um "Posso ajudá-lo?" e me senti uma idiota quando percebi que estava parada de costas para o que eu estava procurando.
Paguei, sai e fiquei esperando a carona no hall de entrada do supermercado. Esses são aqueles momentos engraçados, momentos em que a única coisa que você certamente vai fazer é reparar nas pessoas. Pois bem, fiz o que estava destinada a fazer. Ajeitei o fardo por entre as pernas, coloquei o detergente por cima e comecei a observar o entra-e-sai do mercado. O hall, apesar de possuir um tamanho considerável, estava lotado por causa da chuva. Os carros paravam para além do limite a fim de desovar pessoas ou serem carregados de sacolinhas plásticas. Pensei em um mini-modelo de manicômio.
Parado ao meu lado esquerdo encontrava-se um senhorzinho de idade avançada, estereótipo comum, parecendo muito interessado em seu cigarro e numa pocinha d’água no chão. Empunhava um guarda-chuva e, assim como pena e tinteiro, molhava a ponta deste na poça e escrevia algo no chão. Tentei, disfarçadamente, dar uma olhadela para descobrir do que se tratava, mas consegui ler apenas "SÃO". Mais uma tentativa e: "LUSÃO". Pensei, "Eis ai um grande apaixonado por seu time luso-português, a Portuguesa!" Não era. Um traço fino, misturado aos riscos do vai-e-vem de pegadas no chão, completava a palavra. Curioso. O velho, um guarda-chuva, um cigarro pra matar o tempo e uma companheira, a "ilusão".
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COMENTÁRIOS
08/02/2010 - Nice22 - São Paulo
Ilusão, vejo como um pavio de vida. Lindo. Adorei.
08/02/2010 - Loboguara - São Paulo
Que linda crônica. Sua observação, percepção e redação fantásticas e que triste o delírio. Talvez nem tão triste porque fora lembrado e lembrar é muito bom, ainda que seja ilusão.
01/02/2010 - Sabiah - São Paulo
Ótima crônica. É um texto gostoso de ler e nos faz viajar na sua aventura do dia a dia. Aguardo os próximos.
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