Contos
Doloroso Silêncio
publicado em 29/01/2010
170 visitas

RuboMedina
Belo Horizonte (MG)
Membro desde 02/2009
Membro desde 02/2009
Meus personagens são pessoas comuns. Você pode encontrá-los.
Ela teve que passar em meio à multidão de cabeça erguida, para não demonstrar o que se passava no seu íntimo. Sentiu olhares curiosos cravados em si, balbucios, cochichos, murmúrios. Mesmo assim avançava pelos corredores aparentando uma tranqüilidade que só Deus lhe deu forças para adquirir.
Ao chegar ao final de um corredor, onde apenas uma fresta de luz iluminava o pequeno espaço entre as paredes, virou-se e empurrou uma porta à esquerda. Entrou. E mais uma vez sentiu olhares curiosos analisando-a.
Tranquilamente, postou-se diante de todos. Corpo ereto, queixo erguido. Procurou as palavras adequadas que pudessem sair de sua boca sem que causasse mais choque, sem que provocassem mais tumulto além do que a situação já havia provocado dois dias atrás. Nada encontrou!
Na realidade, seus olhos não enxergavam ninguém. Fixavam-se num vazio tal qual o seu coração se encontrava, mas o som de uma voz que tentou se erguer num canto da sala fê-la voltar imediatamente à realidade. Sem hesitar, ela a interrompeu:
- Nada aconteceu... quer dizer, tudo acontece na vida da gente. Se estou aqui hoje, é porque não tive coragem de ficar em casa. Meu marido morreu... ele quis assim, mas a vida continua. Vamos tocar o barco. Abram os seus livros na página...
Só Deus sabe o quanto foi difícil dizer aquilo para os seus alunos. Falar assim para pessoas que queriam somente lhe dirigir palavras de consolo pela perda.
Quando ela percebeu que todos os olhares, obedientes, se desviaram para procurar a página indicada, sentiu a solidariedade invadir toda a sala. Seus alunos tornaram-se cúmplices daquele silêncio de dor.
Ao chegar ao final de um corredor, onde apenas uma fresta de luz iluminava o pequeno espaço entre as paredes, virou-se e empurrou uma porta à esquerda. Entrou. E mais uma vez sentiu olhares curiosos analisando-a.
Tranquilamente, postou-se diante de todos. Corpo ereto, queixo erguido. Procurou as palavras adequadas que pudessem sair de sua boca sem que causasse mais choque, sem que provocassem mais tumulto além do que a situação já havia provocado dois dias atrás. Nada encontrou!
Na realidade, seus olhos não enxergavam ninguém. Fixavam-se num vazio tal qual o seu coração se encontrava, mas o som de uma voz que tentou se erguer num canto da sala fê-la voltar imediatamente à realidade. Sem hesitar, ela a interrompeu:
- Nada aconteceu... quer dizer, tudo acontece na vida da gente. Se estou aqui hoje, é porque não tive coragem de ficar em casa. Meu marido morreu... ele quis assim, mas a vida continua. Vamos tocar o barco. Abram os seus livros na página...
Só Deus sabe o quanto foi difícil dizer aquilo para os seus alunos. Falar assim para pessoas que queriam somente lhe dirigir palavras de consolo pela perda.
Quando ela percebeu que todos os olhares, obedientes, se desviaram para procurar a página indicada, sentiu a solidariedade invadir toda a sala. Seus alunos tornaram-se cúmplices daquele silêncio de dor.
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COMENTÁRIOS
19/02/2010 - Dalva - Itapira
Anjo, é lindo e ao mesmo tempo triste. Mas vindo de você, narrou melhor do que se poderia esperar de ti. Parabéns, continua o máximo. Tua eterna fã.... estreladalva ;) Beijos de luz desta estrela que te admira muitãoooooooooo.
02/02/2010 - Catucha - Indaiatuba
Uma narrativa de arrepiar... senti-me na pele daquela professora. Escutei o silêncio na alma. Parabéns, você é muito bom mesmo. Bjs da Cat.
29/01/2010 - Saramar - Goiânia
O conto nos envolve com um suspense que desperta muitas inferências. Ao final, emociona com o tratamento inusitado da dor e das formas que a solidariedade encontra para se manifestar. Além dessas emoções, ainda dá uma lição de como a coragem é capaz de manter erguida a alma que sofre. Adorável!
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