primeiro prÊMIO talentos DE POESIA
POESIA INSCRITA
 
Hermes e Afrodite 6,9
Publicado por SKESSAR de São Paulo (SP) em 20/05/2009
 

SAMANTHA velha de guerra acredita em cartomante
Runas e banho de rosas brancas com ervas maceradas
Na pensão de quina e quinta jaz sonhando no seu leito
Onde pulsam corações de cetim e de carmim
Sonha com sonhos decentes e com a chuva de ouro
Que cai da lâmpada  fraca sobre a Sagrada Família    
Parede pistache e suja ampara o sorriso comercial
No pôster do cantor
SAMANTHA que em manhã de agosto sonha com sonhos breves
Ser Marília de Dirceu
Quitar aluguel e favores
Corpo de homem com alma maternal
De Hermes e Afrodite
Sonha sonhos contundentes
Peitos de Marilyn Monroe
Filhos de Grace Kelly
Frutos de um amor sincero, sueco e arrebatador
SAMANTHA cansada de guerra
Conspira com sol e com lua segredos de Matahari
Íntimos e sagrados como qualquer um de nós
Ser Marília de Dirceu
Distante o suficiente do falso frenesi do amor
Uma tiara de pérolas como a de Lady Diana
Quem sabe a sorte grande de não mais apanhar na cara
Nem dos homens nem da vida
Acabar com seus gravames, com as bolhas dos pés
E hematomas da alma enegrecidos pela tristeza
SAMANTHA dos sonhos dela
SAMANTHA dos sonhos de nós
Promiscuidade crucificada, morta e sepultada
Adormeceu suave como borboleta tonta
No ramo de alfazema colhida no Mediterrâneo
E está sentada à direita de Deus Pai todo-poderoso
Sonhando os sonhos dos bons e justos
Enlaçada a desejos e corações de cetim
Agora caminha nua guiada pelas estrelas
Com cedro rubi na mão calejada da estiva
Nos jardins da Casa Branca Pégaso voando lento
Em paisagens bucólicas outonais de Riviera
Sobre o Solar dos Condes com vista para o Ceasa 
SAMANTHA sonha com sonhos de contornos virginais
Corpo de Madalena com alma de lírio branco
Sussurros de ninfeta entalados no pomo de Adão
Sonha com perdão de pai, com sopa quente de mãe
Cartão postal de irmão
Feições de Romeu com alma de Julieta
Em versos obscuros de melancolia
Quem nunca sonhou um sonho envolvido em tarja preta
Hermafrodita e prive, proibido para menores
Quem nunca se embriagou do vinho farto e barato
Servido no Santo Gral numa orgia sorrateira
E não escreveu palavrões nas sarjetas e estrelas
Quem já não despertou abduzido pela luz medíocre
De um dia cinza de agosto
Negando por três vezes seus sórdidos pensamentos
E já não vendeu sua alma a Deus ou ao Diabo
Senhores do Céu e da Terra
Em troca da pílula dourada
Contendo um grama de felicidade pura
Quem já não sonhou um sonho
De máscara e  espartilho
Com sabor de trufa e whisky
Quem já não foi SAMANTHA por apenas um segundo
Subvertendo um sonho de fetiche e de morango
Lambuzado em chantilly no chão sujo do cais do porto
Que atire a primeira pedra!

 
 Comentários

28/07/2009 - 047 - Rio de Janeiro RJ - Brasil
Uma ode moderna. A narrativa segue formas clássicas, mas em uma dinâmica atual... Muito criativa e envolvente sua poesia.

22/05/2009 - Heitor Linhares - são paulo SP - Brasil
Que belo escrito poético!