primeiro prÊMIO talentos DE POESIA
POESIA INSCRITA
 
Janela das Lágrimas 6,5
Publicado por DEEPCORE de São Paulo (SP) em 07/05/2009
 

Para lá dos montes afastados havia outro mundo, um mundo temeroso
(Graciliano Ramos)

Deixei a luz fosca daquele luar
Na curva do rio que embalava meu sono.
Na esteira de estreitas estradas
Pisei as folhas cadentes do outono.

Deixei um mundo sem paz e sem dono,
E meus pés, levantando a poeira,
Deixaram um choro pungido
Sob um teto sem eira e nem beira.

Pra trás, as velhas casas da aldeia,
As poucas taipas caiadas de branco.
Levei comigo uma dor escondida
Pelo rio sem calado e barranco.

E o rapaz, naquele desejo franco,
Seguiu a pintar sua nova aquarela
Sem lembrar das lânguidas lágrimas
Debruçadas em uma seca janela.

Nem se voltou ao cruzar a capela;
Afastado da luz de seus olhos castanhos,
E levando nos dele só um opaco vazio
Sobre um peito marcado de lanhos.

Se da janela, voltada aos rebanhos,
Das amargas lágrimas brotar a semente
Da saudade daquele amor que se foi,
Eu peço ao meu Deus tão somente

Que a dor desse corte se ausente,
E que a flor que secou por meus planos
Floresça na terra frondosa,
Diferente da lívida rosa dos últimos anos.

 
 Comentários

28/07/2009 - JOSE BENEDETTI NETTO - Campinas SP - Brasil
Parabéns pela magnífica poesia. Nos faz lembrar os bucólicos lugares do interior deste amado Brasil, ao mesmo tempo que dá saudade de cada um de nós, oriundos desses lugares.

27/07/2009 - Vivaldo Simão - Oeiras PI - Brasil
Volto pra dizer: parabéns!

15/05/2009 - Vivaldo Simão - Oeiras PI - Brasil
Muito bem feito. Tem meu voto!